Eu sou como um rei, em um castelo de areia, sentado em meu trono de poeira, sem eira nem beira, não vejo o que me vagueia, na solidão do fracasso lamento o tempo perdido, tempo esse que não recupero e quanto mais penso, menos prospero, distante de um futuro doce, me vejo em queda livre ao desgosto, desejaria eu, estar em queda livre literal, ter meu corpo segurado pelo tecido do vento e rasgar o som com meu impacto ao solo, não estou bem, e por mais que eu diga isso, por mais que eu conte, que eu tente, não há forma de mudar, me fazem promessas vazias e me prometem prosperidade, mas eu já estou na meia idade e não mais acredito na minha felicidade. Cá estou, observando o tempo passar, tentando segura-lo, como seguro a areia em minhas mãos, mas nem seus grãos permanecem, escapolem por entre os dedos e me volto ao desespero, sem controle e sem rumo, perdido e sem caminhos para seguir, me vejo parado em uma encruzilhada onde torço para caminhões atropelarem meu ser, isso dói, e meus olh...
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