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Mostrando postagens de outubro, 2018
O homem de areia, na terra em que habito. Ele não tinha um lado, e não podia querer ter, ele não era romântico, nem dizia palavras bonitas, ele não a levava para longos passeios noturnos, pois suas noites eram cobertas de dor e mágoas, ele não era capaz de decifrar amores, pois estava ocupado juntando seus cacos, ele odiava o sol, mas temia ainda mais a noite, e isso o deixava cada vez mais insano, ele não era um sonhador, mas tinha todos os sonhos do mundo, ele sentia frio, e se petrificava, conforme perdia seu toque, e ele caminhava durante o luar, mascarando seu rosto com sua expressão apática, o homem de areia trilhava seu percurso pelo seu gigantesco castelo, mesmo que as trevas caíssem, ele não as temia mais do que as suas próprias trevas, e isso foi se tornando um fardo pesado de mais para carregar sozinho, mas ele tinha você, alguém que sobreviveu ao lado dele, alguém que trilhava o mesmo percurso, sem perder sua própria luz, por muito tempo, essa luz fez com que o homem de are...
Não posso ser como as pessoas de plástico em um mundo de mármore, as pessoas amam e se desapontam, mas eu só consigo me desapontar, não sinto o frescor da grama, mas sinto o arder da era, no silêncio olho seus olhos, eles me dizem que a verdade é apenas uma grande mentira, e que na mentira, dizemos nossas verdades, você me disse para não abrir as portas da razão, mas elas estão escancaradas e eu sinto frio todas as noites, perdendo-me cada vez mais, te peço para me aquecer e eu sou, o homem de areia no castelo de barro, me fincando cada vez mais na terra suja em que posso andar, e eu não posso deixar de ser o que as trevas esperam, pois elas são as únicas coisas que me aceitam como sou. Você me pede para crer no seu Deus, mas eu já olhei sua face e ele me contou todas as suas verdades, e eu sei que verdades são meias mentiras e isso me fez odiá-lo, e eu sei que estou em um lado perigoso da moeda, mas eu não posso ir até você, não de novo, pois sou um homem de areia em um castelo de bar...
Essa é minha carta de despedida. Despeço-me dos pensamentos bons, abraçando todos os obscuros. Dando adeus, ao sorriso de canto, do qual tomava conta de meu rosto. Desapegando-me lentamente da batalha que travei por anos. Entregando-me aos inimigos, eu peço misericórdia, não por clemência, pois já não vejo eficiência, grito por um fim da dor, um fim de começos insuportáveis, e pelo intermédio do pensar, em momentos amargos, desejo apenas ser só mais um descaso, uma estatística jogada ao vaso, mais um corpo meio raso, boiando no mar do fracasso.
Quero encerrar minha dor, cravar em meu peito, minhas últimas palavras, mas egoísmo não faz parte de meu superego, as pessoas ao redor, não padeceriam de mal pior, em meu pulsar, apenas podridão, não mais saio da escuridão, encarcero-me em meus pensamentos, açoitando-me com delírios, gotejam-se meus olhos e já não reflito sobre mim, em um transe hipnótico, mentalizo-me em êxtase, a felicidade forjada, cravada, arrancada, a felicidade que poderia existir, em uma alma tão calejada, não parece só um sonho distante, prendo-me em meu eu, e novamente vejo-me em um quarto fechado, com paredes pálidas, e meu olhar distante, eu não temo o escuro, nem temo os demônios que nele habitam, eu os invejo, por precisarem apenas temer a luz do dia, e dividiria minhas angústias com todos, se assim fosse possível, em uma suposição opaca, me vejo em outra sala, em um segundo de silêncio, arranco-me de meu corpo, cravando uma lâmina no pescoço, já não sinto meu dorso, e para isso, eu torço... Embora, cada d...