Não é como parece ser, é como o padecer fez ser, acordar logo cedo e olhar no espelho, saber que isso não é o que você procura, que você sente que seu talento é jogado fora toda vez que você olha pela janela e sente que o azul do céu está cada vez mais distante, as nuvens são uma constante, você é apenas um amontoado de esperanças despedaçadas, juntadas para durar, a amargura romantizada puxando seus pés aos cacos, onde nem mesmo cobras ousam devorar suas entranhas, a dívida com a esperança e o golpe açoitado da vingança, quem eu seria, se não fosse eu, talvez, um viajante, não de países ou cidades, mas um viajante de tempo, viajaria os minutos, para encontrar a felicidade, talvez anos, décadas, nunca se sabe, desligar seu corpo como se fosse um botão, batizaria cada sentimento, não mais os chamaria de emoção, o amor, seria uma opção, onde eu escolheria com sabedoria, não com a falta de razão, saber que o que busco, não é preenchimento, afinal, aceitei que em mim, existe um vazio tão m...
Postagens
Mostrando postagens de maio, 2016
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Ferro, a pancada do ferro, a pancada quente abrasada, abrangendo o calor do meu peito, o fervor de minha alma, acendendo uma chama já dilatada, esculpindo em brasas memórias atrasadas, de onde vinha o ferro que machucava a carne e feria o espírito, o mesmo aço que moldava o ser, o transparecer minguante, um velho errante, de onde vinha tal metal, que tão frio e letal, me deixou as maiores marcas, que entalhou em minha pele o seu nome, deixando você, viva sempre em mim, te pergunto, por uma vez, como seria te esquecer, seria abdicar de todas as marcas já feitas, todos os corações esculpidos na carne, seria negar quem sou, ou quem me fizeste ser, sou eu, sou vento, sou terra, sou mar, sou tudo que sua pele encostar, sou o que você quiser, sem deixar de ser o que quis, como te esquecer, é o meu questionário, meu duvidoso receio, se te esquecer for nos afastar, eu abdico desse direito, vivo de outro jeito, amargurado pelos cantos, que minhas lágrimas, sutis e singelas, não torturem sua pin...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Em seu quarto, o cheiro fétido de morte talvez, de um cadáver já apodrecido pelos anos, um cheiro amargo e sem gosto, representado pelo mais profundo desgosto. Em suas roupas, a mesma fragrância, quem sabe, pelo uso contínuo, como cenas repetidas em um curta metragem que fora cortado para poupar pessoas de tal tortura. Aquele cheiro era vivo, ele se mantinha no lugar, como um fantasma do passado atormentando seu presente e você sabe que ele atormentará o futuro... Esse cheiro não era como nada já visto, fedia a fracasso, solidão, tristeza. Um cheiro de incertezas, com todas as impurezas, um odor vivo, que parecia se mover pelo lugar, frascos lançados ao chão, empilhados aos cacos, em amontoados de depressão, romantização da barbaridade, que maldade, seria... se o perfume não fosse tão bom.