Me vejo envolto pela caça, predador que sou, grito de agonia pelas mordidas, não sinto mais a dor, apenas o desconforto, não sinto mais o ódio, apenas o frio, não sinto mais amor... apenas sinto o tempo passar por mim enquanto vejo minha carne ser destroçada pela caça.
Em seu quarto, o cheiro fétido de morte talvez, de um cadáver já apodrecido pelos anos, um cheiro amargo e sem gosto, representado pelo mais profundo desgosto. Em suas roupas, a mesma fragrância, quem sabe, pelo uso contínuo, como cenas repetidas em um curta metragem que fora cortado para poupar pessoas de tal tortura. Aquele cheiro era vivo, ele se mantinha no lugar, como um fantasma do passado atormentando seu presente e você sabe que ele atormentará o futuro... Esse cheiro não era como nada já visto, fedia a fracasso, solidão, tristeza. Um cheiro de incertezas, com todas as impurezas, um odor vivo, que parecia se mover pelo lugar, frascos lançados ao chão, empilhados aos cacos, em amontoados de depressão, romantização da barbaridade, que maldade, seria... se o perfume não fosse tão bom.
Quando me vejo pensando sobre como sou, vejo que sou mais errado do que pensei, meu erro é minha mente e eu não me perdoarei por isso, não adianta gritar quando não há nada para dizer, e eu não posso desistir de ser o que sou, gritando contra a parede me vejo lúcido, socando meu rosto e esmagando minhas emoções eu quero destroçar minha garganta, e isso é impossível. Quando pássaros no céu pousam sobre meus ombros eles não sabem o que os espera, eu não sou a liberdade que buscam nem sou o abrigo que os protegerá, e isso é tudo que sei sobre mim, e isso é tudo que posso ser e que posso querer, não adianta me ensinar a ser melhor se eu só aprendi o que é ruim, aprendi a ir embora e aprendi a ficar do lado errado, sou um todo quebrado e não posso corrigir erros ainda não cometidos, impossível, impossível. É tudo que me gritam, impossível, impossível.
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