E assim ele se sentia sozinho, meio que não sabia mais como expressar seus sentimentos, palavras não bastavam mais e o tempo só andava para trás, pessoas o rodeando não o completavam mais, amigos foram se tornando um consolo de tudo que até alí aconteceu, e o que realmente aconteceu? Nem ele sabia, estava tão certo de que seu plano estúpido daria certo, que esqueceu de enxergar que o precipício que o rodeia era maior que seus pequenos braços e suas flácidas pernas cansadas.

Depois de tais palavras soarem em seus ouvidos foi como se ele tivesse morrido por parte alí, fingiu não ligar e tentar ser o mesmo com todos, mas no fundo estava prestes a abandonar tudo em um piscar de olhos, idiotice alguns diziam, amor, ele sentia, não sabia bem como se confessar por palavras, já que desde então nunca havia tido outra pessoa em sua vida, nem que por relance, e sua certeza de que daquela vez seria a certa, seria a única vez em que ele poderia segurar em suas mãos, olhar em seus olhos e poder dizer tudo que em seu peito sentia, um mistério de ser discrito, alguns ainda afirmam que ele nem ligou, outros contam-nos que ele nunca mais seria o mesmo, no final meio que entendi o que ele disse quando me contou sobre sua vida, sobre suas decepções, e havia jurado não sofrer, fingi acreditar quando o abracei, fingi não ligar quando o fitei à chorar, questionei-me sobre os seus sentimentos, ódio talvez, dor... Quem afirmaria com clareza algo que só ele sentia, mas no fundo eu sabia que oque ele sentia era apenas o mais puro amor, já que não importava o tempo, os dias, as pessoas, seu coração sempre se acelerava ao ver ela se escorar na porta como uma criança pequena, ao tocar seu corpo mesmo que de relance, ao segurar suas mãos e sentir o calor do seu toque, coisas que só ele sabia descrever com clareza.



Me impressionei quando por sua vontade ele afirma estar apaixonado,

- Ah tão tolo, tão ingênuo mas tão lúcido...

Fiquei feliz quando o avistei com um sorriso enorme e idiota em sua face, dizendo que não era nada mas gritando que foi um tudo, suas mãos gelaram como um cadáver, seu coração parecia sair pelo peito, de tão apressado que ia, que garoto bobo, pensavamos até o ver assim, sorrindo com um vazio enorme em sí, aquilo me doeu, de tal forma que me culpei por isso, deveria ter avisado a ele as consequencias, deveria ter feito algo para mudar isso, nada do que fiz até agora foi em vão, mas com um sorriso vazio ele me olhou e disse que iria faltar as aulas chatas já que iria sair, eu sabia que era uma mentira sua, que ele iria apenas fugir de tudo, covarde, talvez, eu não faria diferente, afinal tudo arriscado foi perdido nisso, levei ele até sua casa, então sorrindo ele me olhou e disse;

- Talvez eu vá sair amanhã... Não me espere...

Essas palavras entraram em mim de tal forma que fiquei sem resposta, apenas disse tchau e fui embora, frustrado com oque aconteceu alí, acho que ele ficará bem, afinal todos esperam isso, ninguém conhece seu lado infeliz, apenas o conhecem como um garoto feliz, alegre, simpático, mas naquele momento, naquele sorriso eu pude ver com clareza quem realmente ele era, como se eu apenas olhasse em um espelho a minha face desgastada pela chuva.





Como se dizia, apenas um louco lúcido vê o mundo caótico com sua completa lucidez.

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