Eu ainda era jovem quando tudo aconteceu, acho que tinha em torno de 15 a 16 anos, não lembro bem quando aconteceu, mas lembro de como aconteceu, eu estava indo para a escola como todos os dias, e no caminho dou uma parada em uma árvore em frente à casa da um amigo, como de costume, então peguei meu caderno e comecei a rever meus desenhos e lembrar de quando os fiz, de repente segundos viram minutos e minutos viram passado quando vejo ela vir em minha direção, sim, estava linda como de costume, perguntei se podia andar até então com ela para a escola, sem dar por perceber que eu estava esperando ela como de costume, acho que ela nunca percebeu isso, estranho, todos da escola já haviam percebido, então ela como de costume aceita e vamos juntos, no caminho tento conversar normalmente mas acabo ficando envergonhado, um jovem naquela idade tímido, que triste a minha infância foi, era bastante rejeitado pelas garotas por isso, mas ela não parecia me rejeitar, mas sim pelo contrário, parecia gostar da minha timidez, bom ela também era meio tímida, não tocávamos nos assuntos de amor, sempre falávamos sobre coisas mais normais para garotos da nossa idade, falávamos até sobre nosso almoço da sexta série, que pelo que me lembre não era uma das minhas melhores lembranças, mas de repente ela me pega em uma pergunta que me deixa meio desmotivado em responder, apenas aceno com a cabeça como se tivesse entendido onde ela realmente queria chegar para não parecer mais idiota do que deveria, gostava bastante quando segurava em sua mão, era tão quente, ao contrário da minha, sempre fria, ficava assim quando eu me sentia nervoso, perto dela era quase todo o tempo, até hoje ainda fico assim quando conversamos, ela nunca descobriu o motivo disso tudo, a quantas cartas escrevi, quantas vezes eu achei que perdi meu tempo com aquilo, e para os outros eu realmente perdi meu tempo, mas para mim nada foi em vão, quantas pessoas tem a chance de amar profundamente alguém, só essa palavra agora me dá arrepios, quem mais quer sofrer por amor? Logicamente que eu não queria mais sentir aquilo, seria mais um “anti amor”, um jovem que já pensava assim sobre as pessoas, era meio frustrante para minha convivência comigo mesmo, e com quem estava ao meu redor, acabei por afastando todos de mim, sem perceber já estava isolado de todos e só pensava em como não me magoar de novo, o que fazer para nenhuma garota me tocar no coração, ficava indignado ao ver casais se dando bem, porque nunca acontecia comigo? Nisso tirei a conclusão que eu já tinha meu par, que sempre estava ali comigo, por mais que eu não merecesse, esse era eu, sim por parte eu me namorava, me fitava nos espelhos de casa e me admirava enquanto acariciava meu rosto macio, e porque não? Já que de qualquer forma só tinha tempo para mim, e eu mesmo não iria me magoar ou trair minha confiança, sentia que minha vida havia virado uma maldita peça,e eu era apenas um eu lírico frustrado na sua própria comédia dramática, apenas segui assim, espero que um dia se fechem as cortinas.
Me vejo envolto pela caça, predador que sou, grito de agonia pelas mordidas, não sinto mais a dor, apenas o desconforto, não sinto mais o ódio, apenas o frio, não sinto mais amor... apenas sinto o tempo passar por mim enquanto vejo minha carne ser destroçada pela caça.
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