Linda, linda como as tardes que passávamos juntos, abundante era teu olhar, em reflexo com o sol, que ofuscava meus olhos ao te fitar de longe.
Linda, tua voz macia, tocava calmamente meus ouvidos, como uma melodia cujo sentido ainda não significava nada para mim até ali.
Assim eu pensava até tentar me aproximar, uma garota linda e adorada por todos, assim eu pensava, até 18 de setembro desse ano, quando cheguei para entregar umas atividades para o professor, a vi com um garoto, aparentemente mais velho que ela, fiquei chocado e ao mesmo tempo triste, fingi não ligar, deixei as atividades na mesa e sai, fiquei sentado na frente da escola, quando vejo o namorado dela apressado e irritado passar por mim, me pergunto oque acontecia ali, em seguida, ela vem chorando em direção a mim, não perguntei o motivo, apenas a abracei como se a conhecesse, minutos depois, ela decide contar que havia brigado com ele, e que ele pediu para tirar sua virgindade, ela havia se negado e ele se zangou com ela, e bateu nela, me enfureci com aquele canalha! O que ele pensa que faz com uma garota tão frágil? Ela insistia em dizer que o ama e vai pensar nisso, fiquei com pavor ao ver que ela demonstrava remorso por ele, como se realmente amasse aquele maldito monstro, fique calmo, algo dentro de mim dizia, era impossível com tudo que acontecia até tal momento, eles se encontram na rua, por acaso e se beijam na minha frente, fico confuso, seria isso amor? Ou seria apenas atração por corpos, dor, quanta dor eu sentia, como me deixei levar por um momento idiota, fui para casa, mesmo sozinho me sentia melhor assim, para adormecer foi meio cansativo, me perguntava o motivo daquilo tudo, e porque isso não me deixava dormir, no dia seguinte, acordei cedo, não comi, acho que havia perdido a fome com aquilo do dia anterior, fui cedo para a escola, ainda tinham trabalhos para entregar, chegando no portão vejo várias bicicletas, de quem seriam? Passando no corredor algo aperta meu peito, dizendo que algo estava errado, corri para ver, ouvi barulho atrás de uma porta do terceiro ano, abri com velocidade, ao olhar dentro, vi uma cena que nunca sairia da minha cabeça, o bastardo do namorado, da linda garota, estava estuprando ela com mais 4 garotos, que cruel, olhei aterrorizado enquanto ele dizia para eu sair, ela gritava por socorro, meu Deus oque eu faço? Corri até a cantina, peguei uma faca e corri para a sala, eles já tinham terminado e estavam indo embora, quando ele se vira, apunhalo ele com força, acho que penetrei seu coração, seus amigos saem correndo e o sangue dele jorra em minhas mãos, o que eu fiz? Tirei a vida de um canalha sem sentimentos, na frente da mulher que o ama, me senti um monstro pior que o que ali estava morto, ela me olha com medo e pergunta se eu faria isso com ela, começo a sentir nojo de mim, chego perto dela e digo que protegeria ela de tudo, levanto-a e ajudo a se vestir, levo ela nos braços para um hospital, por sorte ninguém tinha provas que fui eu, já que por cautela levei a arma comigo e a descartei na água da praia no caminho ao hospital, ela estava aterrorizada e eu também, como isso havia acontecido, oque eu sou realmente? Um monstro, um assassino ou um jovem covarde, fui para casa deixando-a no hospital para se tratar, em casa não conto nada a minha mãe, ela ficaria preocupada demasiadamente com isso, pobre mulher, não imagina que seu filho é um maldito com sangue de outro em suas mãos, consigo dormir calmamente, isto até me assustou, vou vê-la no hospital, e pedi-la em namoro, sempre a amei e não deixaria de amar por algo ter acontecido com seu corpo, chegando lá, vejo ela com o seu "falecido" namorado, que não havia morrido, apenas desmaiado, eles se beijam e ele a pediu em casamento, isso de uma maneira ou de outra me matou por dentro, como ela pode ser tão ingênua? Andando mais a frente vi um mendigo, fui atirar uma moeda para ele, ele segura minha mão, começa a rir e diz que eu sou um inútil, quem seria ele, como ousa me julgar?!? Maldito seja! Enfurecido saio correndo até o fim da praia, onde as ondas quebram nas pedras, olho para o mar e começo a chorar feito um idiota, pensei demais nas palavras do maldito mendigo, pego meu celular, pouco usado, ligo para minha mãe, deixando como recado apenas um "eu te amo em breve nos veremos..." me atiro no mar, enquanto meu corpo afunda eu vejo as ondas me jogarem nas pedras, será que isso seria emfim o meu fim? Sei que algo melhor está por vir, não crio expectativas, essa é minha maldita realidade, apenas dor. Sem amor.

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