talvez não vá mais lhe encontrar em sua cadeira, não deitará mais em seu sofá
não estará mais em sua casa, jogando seus jogos ou escrevendo seus poemas como de costume
talvez não vá hesitar em me ver novamente
talvez acorde disso tão rápido quanto eu
ou eu ainda estou dormindo mais do que ele
tantas perguntas que chego a uma resposta,
isso vale mesmo à pena?
todos os dias sinto que morro mais e mais
pedaços de mim que se vai ao longo do meu dia
mas e daí? eu não viverei mais do que as outras pessoas
um amaldiçoado vivo, liberdade era o troféu para anos de prisão em sua mente
pernas fracas olhos cansados braços flácidos
cabeça já não aguentava o peso da consciência
viver ou sobreviver? para quem apenas sobrevivia o fim era inevitável
porque não adiantá-lo? adiar tanto só iria entediar mais
porque não? nada mais importante aconteceria
afinal, já havia perdido tudo que considerava importante
pessoas, objetos, sentimentos
perdeu até seu coração
pobre verme, preso a um corpo inútil, pronto para sair e voltar para a terra,
pobre corpo, prisão de uma alma escravizada a angustia, pronto para se decompor e voar com o vento
tão frio e tão solto
chegava a ecoar o ruído do bater em seus dentes, congelaria por inteiro?
não chegaria a tanto, afinal, sua sede por liberdade o mantinha vivo, e que liberdade seria?
amor? sexo? drogas? compromissos? garotas? festas? amigos?
não... não, nada disso era realmente importante
afinal, você só vive uma vez, mas para quem não consegue viver uma, nada é mais tão importante a não ser
sua própria carcaça apodrecendo em uma mesa, e o motivo disso? parecia ser tristeza

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