Em meio a chuva, dançava na escuridão, as luzes já não eram o bastante, ele girava e ela cedia, em uma valsa a dois em meio a luzes piscantes de postes defeituosos, o som da água aterrissando na terra e o cheiro doce do solo molhado facilitava cada abraço, o frio e a angústia sumiam de seus dicionários, amor, amor, era tudo que se ouvia, a intensidade, não se sabe ao certo, era como se ambos estivessem grudados, fossem apenas uma pessoa e, mesmo assim,se sentissem tão distante, não precisam ir embora, eles voam sem sair do chão, essas foram suas escolhas, um sonho sem o álcool, dê-vos um tempo, eles brincam como duas crianças mas eles estão apaixonados, amor, amor, eles giram como piões e mesmo assim continuam de pé, amor, amor, todos precisamos desse amor, dessa liberdade em estar acorrentado, da maciez de suas peles, do sons de cada relâmpago atingindo o alto das casas, alto, alto, eles vão tão alto, sem medo de cair, nada pode os assustar, eles encontram suas partes boas em si mesmos, lábios entrelaçados e pouco tempo para dançar, mas apaixonados sempre dançam juntos, é isso que chamamos de amor, é, isso é o amor. Uma coreografia que gira conforme uma música lenta que faz nosso peito apertar, nosso coração bater forte e nossa mente esquecer de todos os problemas, dê-me, dê-me esse amor, preciso desse amor, dê-me, dê-me, dê-me seu amor.
Me vejo envolto pela caça, predador que sou, grito de agonia pelas mordidas, não sinto mais a dor, apenas o desconforto, não sinto mais o ódio, apenas o frio, não sinto mais amor... apenas sinto o tempo passar por mim enquanto vejo minha carne ser destroçada pela caça.
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