Fui juntando todos os seus pedaços e os organizando em frases, com o passar dos dias, os transformei em versos, as estrofes foram crescendo, os parágrafos aumentando, fui transformando você em tudo aquilo que eu podia aguentar, eu podia aguentar o orgulho, escrevi sobre, podia aguentar a tristeza, escrevi sobre, podia aguentar todas e quaisquer que sejam as decepções, continuei escrevendo sobre elas, fui me afundando no mar de coisas que sabia sobre você, enquanto você, colocava o pé na pequena poça do que sabia sobre mim, as informações nunca eram mútuas, estávamos desconectados de uma certa forma, apertos e mais apertos, comecei a ver que estava fazendo tudo errado de qualquer forma, fui jogando meu tempo inteiro em alguma coisa vaga, apreços e afeições, demonstrações de um falso sentimentalismo, aos poucos me sinto uma mentira, uma piada sem graça cujo final fora modificado para ter coesão a quem escute, me sinto uma piada que te fora contada e que você fingiu rir, sinto que você ainda finge rir sempre que me escuta, acho, que você e eu somos duas mentiras, duas mentiras que se contam um para o outro, acho que estamos fazendo tudo errado e, bom, se eu estiver certo sobre isso, vamos errar mais vezes, minha pequena mentira.
Me vejo envolto pela caça, predador que sou, grito de agonia pelas mordidas, não sinto mais a dor, apenas o desconforto, não sinto mais o ódio, apenas o frio, não sinto mais amor... apenas sinto o tempo passar por mim enquanto vejo minha carne ser destroçada pela caça.
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