Nunca estarei bem, não me sinto mais vivo, a solidão meu bem, já virou meu vício, um grande indício disso, é a forma que te encaro, meu tom e meu falar amargo, meu andar desamparado, me sinto cada vez mais solitário, sem amigo ou abraço de amparo, é como um anjo caído e em pedaços, me sinto cada vez mais desconfortável, agarro meus joelhos abaixando minha cabeça, vergonhoso e decadente, é como eu chamo, partes de um todo, um todo danificado, um todo desregulado e um todo largado, um todo que não completará nenhum pedaço de alguém, fui completando cada pedaço com sentimentos bons e temporários, embora nunca fui de alimenta-los, foram-se passando dias, meses, anos, eles foram morrendo de acordo com esse plano, os cobri com um pano e jurei que estariam ali quando eu acordasse, eles sempre estão, os guardo no meu peito e ando por ai, aperto firme e torço para não cair, não quero que alguém veja isso ou que simplesmente ache que entende, não digo que é a pior de todas, mas que cada um tem a sua dor, não comparo elas, todas as noites, quando me deito, estico a mão tentando te alcançar, você está longe, mais do que pode imaginar, eu estou aqui, eu parei no tempo, exatamente onde você me deixou e, estou esperando que você me resgate, que me salve, que me tire dessa linha maldita, mas sinto que não é mais possível, sinto que pedi o impossível, sinto que não é como eu esperava, que não é como eu queria ou como eu tentei.
Me vejo envolto pela caça, predador que sou, grito de agonia pelas mordidas, não sinto mais a dor, apenas o desconforto, não sinto mais o ódio, apenas o frio, não sinto mais amor... apenas sinto o tempo passar por mim enquanto vejo minha carne ser destroçada pela caça.
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