Acorrentado em um quarto escuro, olhando ao meu redor, não vejo nada além de cadeiras presas ao chão, não sinto mais nada além de uma solidão súbita, eu deveria tentar mais, onde está minha coragem quando precisei dela, correntes são como gaiolas, me sinto como uma ave, minhas asas, cortadas para que eu não voasse, mesmo assim, agonizo em grades estreitas que me sufocam até o momento em que eu me sinto mais completo, completo de um vazio existencial tão grande que é capaz de desfrutar dos mais singelos pensamentos positivos que eu já pude ter, não é tão diferente do quanto achei que poderia ser, por mais que feche meus olhos, eu ainda consigo ver, ainda posso escrever, e sei que meu coração ainda está sendo preenchido por cor, eu sinto isso a cada segundo, sinto mais e mais que algo está mais diferente do que realmente deveria parecer.
Me vejo envolto pela caça, predador que sou, grito de agonia pelas mordidas, não sinto mais a dor, apenas o desconforto, não sinto mais o ódio, apenas o frio, não sinto mais amor... apenas sinto o tempo passar por mim enquanto vejo minha carne ser destroçada pela caça.
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