Desapegado dos sentimentos, desligado de emoções, agulhas em seu peito, abafava os clarões, da noite, o choque aquático mergulhando na receptiva areia, o bater caridoso de lábios próximos as laterais de sua face, o mesmo problema se repetia, as mesmas dores, se sentia cada vez mais ligado a tudo isso, por mais que feche os olhos, são sempre os mesmos olhos que vê quando os abre, mesmo que encare espelhos, aqueles olhos nunca sairiam de sua mente, como uma doença impregnada em seu hospedeiro, ele era refém de suas escolhas, assim como açoitava-se todas as noites por elas, sua dor nada o significava, se não apenas cicatrizes e marcas, rastros de passagens erradas e de caminhos sem volta, tudo indiferente, tudo menos gente. Tudo desligado.
Me vejo envolto pela caça, predador que sou, grito de agonia pelas mordidas, não sinto mais a dor, apenas o desconforto, não sinto mais o ódio, apenas o frio, não sinto mais amor... apenas sinto o tempo passar por mim enquanto vejo minha carne ser destroçada pela caça.
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