Desapegado dos sentimentos, desligado de emoções, agulhas em seu peito, abafava os clarões, da noite, o choque aquático mergulhando na receptiva areia, o bater caridoso de lábios próximos as laterais de sua face, o mesmo problema se repetia, as mesmas dores, se sentia cada vez mais ligado a tudo isso, por mais que feche os olhos, são sempre os mesmos olhos que vê quando os abre, mesmo que encare espelhos, aqueles olhos nunca sairiam de sua mente, como uma doença impregnada em seu hospedeiro, ele era refém de suas escolhas, assim como açoitava-se todas as noites por elas, sua dor nada o significava, se não apenas cicatrizes e marcas, rastros de passagens erradas e de caminhos sem volta, tudo indiferente, tudo menos gente. Tudo desligado.
Fica tão difícil te esquecer, quando tudo me lembrar você. Caminhar na noite nunca foi tão solitário, sem você ao meu lado, não é como um vício, uma droga um carinho, era como uma obsessão, o toque de sua mão, me acalmava, eu era um leão na solidão, rugia com seu afago e me silenciava com sua distância, o tempo não nos foi justo, a vida também não, uma série de coisas nos aconteceram, não tivemos controle algum sobre elas, apenas boiamos em um oceano e deixamos as ondas nos lançarem na areia, embora, a vida nos prega peças, não seria diferente com tudo isso, não fomos jogados juntos na areia, mas fomos afogados o mais distante possível, não distante da beira, ou de qualquer outra coisa, mas distante de nós, estávamos longe um do outro e ainda estamos, mandei cartas ao vento, cartas que você jamais lerá, agora, começo uma nova história, um livro já fora queimado, noites já forma perdidas, o seu cheiro não vaga pela minha mente, seus cabelos não deslizam em minhas mãos, seu vazio não com...
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