Eu vou em silêncio, em minha mente algum entorpecente, minha cabeça já não gira como antes, a lanço contra paredes em tentativas de amenizar a dor, vermelho em meus olhos, algo está embaçando minha visão, me levanto de onde estava sentado e vou até a outra ponta do quarto, a encaro fixamente, rachaduras e borrões avermelhados, é exatamente aqui que devo continuar, choco novamente minha cabeça contra ela, meus olhos mal podem ver essa cena, eu acho que é melhor que eu não possa vê-la, sinto que estou me afundando em algo assim, os dias vão se passando lentamente, sinto um calor agoniante, uma dor súbita toma conta dos meus dias, algumas vozes dizem que podem me salvar, mas nunca ligo para elas, aqui é meu lugar, estou bem aqui, ainda existem mais dois lados nesse quarto, eles ainda estão limpos, não devo suja-los com algo tão idiota como isso, abro a porta do quarto e vou caminhando por ai, não sei bem o caminho, esfrego meus olhos com as mãos, mas elas estão tão sujas quanto eles, já não sei que horas são, a dor volta a me massacrar, me jogo no chão explodindo minha cabeça em pancadas, a dor de repente some, eu não vejo mais nada vermelho, vejo pedaços do que seria minha cabeça mas não sinto a dor dela, vejo que posso sair do meu corpo, acho que estou mais próximo do que se pode chamar de liberdade, caminho agora sabendo por onde vou, as portas não me prendem mais, embora eu não veja luz alguma, não vejo nada que possa me prender, atravesso a última das portas e acordo novamente em meu quarto, uma faca em cima da escrivaninha, ao lado de um pequeno caderno, gotas de sangue no chão e várias doses de remédios tarja preta, roupas jogadas por todos os lados, não existe sequer uma pessoa que possa se importar comigo agora, olho fixamente para toda a cena ao meu redor, a faca parece cega, provavelmente por tanto dilacerar minha carne já sem sentido, novamente estou preso em um ciclo sem fim, eu quero uma segunda chance para fazer diferente, se eu tivesse um pouco mais de coragem eu me jogaria daquela ponte, bateria no mar e seria arrastado pelas ondas, eu conheceria o oceano e ficaria submergido para sempre, os peixes seriam meus amigos, é disso que precisamos, de alguém que nos entenda, mas é difícil quando ninguém pode olhar nos seus olhos e dizer que você pode precisar de ajuda. Me deixe só mais uma vez, me deixe só mais essa noite.
Me vejo envolto pela caça, predador que sou, grito de agonia pelas mordidas, não sinto mais a dor, apenas o desconforto, não sinto mais o ódio, apenas o frio, não sinto mais amor... apenas sinto o tempo passar por mim enquanto vejo minha carne ser destroçada pela caça.
Não precisamos de alguém que nos entenda, nem de peixes, nem de amigos, nem de peixes amigos, só precisamos da consciência e esta nos faz medrosos. Você era feliz e eu achava que não podias enxergar bem, mas a verdade é que tinhas um óculos o tempo todo no bolso. Decidiu tirá-los pra usar? J.G
ResponderExcluirAlguém tem que ser forte para algo dar certo.
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