Seu amor era escrito, era amor mal dito, mal cumprido, mal feito, era amor de encomenda, amor de referência, era amor de adolescência, era amor de medo, amor de fobia, amor de mágoa e de agonia, era amor de adulto, cansado e magoado, que vivia amargurado, sentado na varanda, era amor de ciranda, amor de cantiga, era amor de passa-tempo, amor de mentira, servia nas noites tristes, mas acabava nos dias quentes, nascia na madrugada, morria com o raiar do sol, era amor dispensável, amor trocável, era lastimável, ter esse seu amor, se não fosse ele, o que seríamos? Seríamos o vento nas árvores, a luz na grama, seríamos o orvalho no capim, um livro sem fim, aquela piada sem graça, mas que todos davam risada, seríamos tanta coisa e ao mesmo tempo não seríamos nada, seríamos o que achássemos bom, o que achássemos interessante, independente, seríamos amor de gente, seríamos amor, mas seu amor era escrito, mal dito, incumprido, incompleto, amor por dialeto, malditas letras do alfabeto.
Fica tão difícil te esquecer, quando tudo me lembrar você. Caminhar na noite nunca foi tão solitário, sem você ao meu lado, não é como um vício, uma droga um carinho, era como uma obsessão, o toque de sua mão, me acalmava, eu era um leão na solidão, rugia com seu afago e me silenciava com sua distância, o tempo não nos foi justo, a vida também não, uma série de coisas nos aconteceram, não tivemos controle algum sobre elas, apenas boiamos em um oceano e deixamos as ondas nos lançarem na areia, embora, a vida nos prega peças, não seria diferente com tudo isso, não fomos jogados juntos na areia, mas fomos afogados o mais distante possível, não distante da beira, ou de qualquer outra coisa, mas distante de nós, estávamos longe um do outro e ainda estamos, mandei cartas ao vento, cartas que você jamais lerá, agora, começo uma nova história, um livro já fora queimado, noites já forma perdidas, o seu cheiro não vaga pela minha mente, seus cabelos não deslizam em minhas mãos, seu vazio não com...
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