Sou companhia de um dia, romance de uma noite, sopro de entardecer e entorpecente de emoções, afogo os sentimentos mais banais em palavras triviais, escondo-me em cortinas de fumaça feitas por vapor de minhas lágrimas, sou aquele que anda sem rumo e mesmo assim não se perde, aquele que nada perde, mas nunca se ganha, aquele sem esperança e que já entendeu a manha, sou eu quem você abraça quando sente frio, mas nega a mão quando em público, sou eu quem não reclama de suas crises e até sorri de seus defeitos, eu que fiz de tudo e mais um pouco para amolecer seu peito. Sou eu, o vento que assanha teus cabelos, o mar que toca em teu corpo, os pensamentos que dominam sua cabeça, frase dita por sua boca, batom predominante em seus lábios, de tudo sou um pouco, só não sou um pouco de tudo.
Fica tão difícil te esquecer, quando tudo me lembrar você. Caminhar na noite nunca foi tão solitário, sem você ao meu lado, não é como um vício, uma droga um carinho, era como uma obsessão, o toque de sua mão, me acalmava, eu era um leão na solidão, rugia com seu afago e me silenciava com sua distância, o tempo não nos foi justo, a vida também não, uma série de coisas nos aconteceram, não tivemos controle algum sobre elas, apenas boiamos em um oceano e deixamos as ondas nos lançarem na areia, embora, a vida nos prega peças, não seria diferente com tudo isso, não fomos jogados juntos na areia, mas fomos afogados o mais distante possível, não distante da beira, ou de qualquer outra coisa, mas distante de nós, estávamos longe um do outro e ainda estamos, mandei cartas ao vento, cartas que você jamais lerá, agora, começo uma nova história, um livro já fora queimado, noites já forma perdidas, o seu cheiro não vaga pela minha mente, seus cabelos não deslizam em minhas mãos, seu vazio não com...
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