Sou fruto de amores mal vividos, relampejo de emoção, contraforte sem razão, pego em solidão, estender-te a mão, um abismo de ilusão, jogado de cabeça, como quem mergulha em esperanças ou se afoga em desejos, apagando a fagulha esperançosa com a gélida realidade, tendo a espinha invadida pelo frio, uma mente um tanto vazio, o perigo não estava nas ruas, estava em mim, em cada pessoa que mantive por perto, cada escolha, cada afeto, dada as chances como giros em moedas, jogadas consecutivamente em uma forma desesperada de mudanças, porém, nada adiantaria se a mesma tivesse apenas uma face.
Me vejo envolto pela caça, predador que sou, grito de agonia pelas mordidas, não sinto mais a dor, apenas o desconforto, não sinto mais o ódio, apenas o frio, não sinto mais amor... apenas sinto o tempo passar por mim enquanto vejo minha carne ser destroçada pela caça.
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