Ferro, a pancada do ferro, a pancada quente abrasada, abrangendo o calor do meu peito, o fervor de minha alma, acendendo uma chama já dilatada, esculpindo em brasas memórias atrasadas, de onde vinha o ferro que machucava a carne e feria o espírito, o mesmo aço que moldava o ser, o transparecer minguante, um velho errante, de onde vinha tal metal, que tão frio e letal, me deixou as maiores marcas, que entalhou em minha pele o seu nome, deixando você, viva sempre em mim, te pergunto, por uma vez, como seria te esquecer, seria abdicar de todas as marcas já feitas, todos os corações esculpidos na carne, seria negar quem sou, ou quem me fizeste ser, sou eu, sou vento, sou terra, sou mar, sou tudo que sua pele encostar, sou o que você quiser, sem deixar de ser o que quis, como te esquecer, é o meu questionário, meu duvidoso receio, se te esquecer for nos afastar, eu abdico desse direito, vivo de outro jeito, amargurado pelos cantos, que minhas lágrimas, sutis e singelas, não torturem sua pintura em uma tela, mas como ser tão forte, quando você me esquece, em todas as camas que se deita, não é mais em mim que relampeja sua cabeça, não é em minha voz que você se recorda, ou de nossos momentos em suma corda, estou pego em desastres, preso em solidão, esse momento nada seria, se fosse em vão, quem sabe o que o futuro nos resta, ou se nada mais adiante, se te esquecer for o caminho para te ter, já nem lembro o seu nome.
Fica tão difícil te esquecer, quando tudo me lembrar você. Caminhar na noite nunca foi tão solitário, sem você ao meu lado, não é como um vício, uma droga um carinho, era como uma obsessão, o toque de sua mão, me acalmava, eu era um leão na solidão, rugia com seu afago e me silenciava com sua distância, o tempo não nos foi justo, a vida também não, uma série de coisas nos aconteceram, não tivemos controle algum sobre elas, apenas boiamos em um oceano e deixamos as ondas nos lançarem na areia, embora, a vida nos prega peças, não seria diferente com tudo isso, não fomos jogados juntos na areia, mas fomos afogados o mais distante possível, não distante da beira, ou de qualquer outra coisa, mas distante de nós, estávamos longe um do outro e ainda estamos, mandei cartas ao vento, cartas que você jamais lerá, agora, começo uma nova história, um livro já fora queimado, noites já forma perdidas, o seu cheiro não vaga pela minha mente, seus cabelos não deslizam em minhas mãos, seu vazio não com...
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