Ferro, a pancada do ferro, a pancada quente abrasada, abrangendo o calor do meu peito, o fervor de minha alma, acendendo uma chama já dilatada, esculpindo em brasas memórias atrasadas, de onde vinha o ferro que machucava a carne e feria o espírito, o mesmo aço que moldava o ser, o transparecer minguante, um velho errante, de onde vinha tal metal, que tão frio e letal, me deixou as maiores marcas, que entalhou em minha pele o seu nome, deixando você, viva sempre em mim, te pergunto, por uma vez, como seria te esquecer, seria abdicar de todas as marcas já feitas, todos os corações esculpidos na carne, seria negar quem sou, ou quem me fizeste ser, sou eu, sou vento, sou terra, sou mar, sou tudo que sua pele encostar, sou o que você quiser, sem deixar de ser o que quis, como te esquecer, é o meu questionário, meu duvidoso receio, se te esquecer for nos afastar, eu abdico desse direito, vivo de outro jeito, amargurado pelos cantos, que minhas lágrimas, sutis e singelas, não torturem sua pintura em uma tela, mas como ser tão forte, quando você me esquece, em todas as camas que se deita, não é mais em mim que relampeja sua cabeça, não é em minha voz que você se recorda, ou de nossos momentos em suma corda, estou pego em desastres, preso em solidão, esse momento nada seria, se fosse em vão, quem sabe o que o futuro nos resta, ou se nada mais adiante, se te esquecer for o caminho para te ter, já nem lembro o seu nome.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog