Não é como parece ser, é como o padecer fez ser, acordar logo cedo e olhar no espelho, saber que isso não é o que você procura, que você sente que seu talento é jogado fora toda vez que você olha pela janela e sente que o azul do céu está cada vez mais distante, as nuvens são uma constante, você é apenas um amontoado de esperanças despedaçadas, juntadas para durar, a amargura romantizada puxando seus pés aos cacos, onde nem mesmo cobras ousam devorar suas entranhas, a dívida com a esperança e o golpe açoitado da vingança, quem eu seria, se não fosse eu, talvez, um viajante, não de países ou cidades, mas um viajante de tempo, viajaria os minutos, para encontrar a felicidade, talvez anos, décadas, nunca se sabe, desligar seu corpo como se fosse um botão, batizaria cada sentimento, não mais os chamaria de emoção, o amor, seria uma opção, onde eu escolheria com sabedoria, não com a falta de razão, saber que o que busco, não é preenchimento, afinal, aceitei que em mim, existe um vazio tão maior que o mundo, tão maior que o espaço ou o sistema solar, acreditando que assim, seria mais fácil lidar, não é algo preenchível com pessoas, dinheiro, luxos, é o mais puro sentimento do fracasso, do desgosto, da amargura, encoberto com sorrisos diários e sensações falsas, toques e mais toques em mentes conturbadas, batendo em teclas aleatórias como se fosse um jogo, quem dera ser um jogo, apertaria restart e começaria tudo de novo, ou trocaria o modelo por um novo.
Fica tão difícil te esquecer, quando tudo me lembrar você. Caminhar na noite nunca foi tão solitário, sem você ao meu lado, não é como um vício, uma droga um carinho, era como uma obsessão, o toque de sua mão, me acalmava, eu era um leão na solidão, rugia com seu afago e me silenciava com sua distância, o tempo não nos foi justo, a vida também não, uma série de coisas nos aconteceram, não tivemos controle algum sobre elas, apenas boiamos em um oceano e deixamos as ondas nos lançarem na areia, embora, a vida nos prega peças, não seria diferente com tudo isso, não fomos jogados juntos na areia, mas fomos afogados o mais distante possível, não distante da beira, ou de qualquer outra coisa, mas distante de nós, estávamos longe um do outro e ainda estamos, mandei cartas ao vento, cartas que você jamais lerá, agora, começo uma nova história, um livro já fora queimado, noites já forma perdidas, o seu cheiro não vaga pela minha mente, seus cabelos não deslizam em minhas mãos, seu vazio não com...
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