Em um mundo diferente, com pessoas diferentes, um chão diferente e poesias diferentes, um lugar onde eu coexisto, traçando uma tênue linha, da qual, rostos, sorrisos, feições, são simplesmente apagadas com o transbordar de emoções, jorradas como lama e abarrotadas de frustrações, um mundo onde eu coexisto.
     
     No mundo onde coexisto, eu não preciso acordar cedo, não preciso sair da cama e descobrir que horas são, nesse lugar, sempre é a hora que eu desejar, será sempre o que for mais fácil de lidar, algo simples do qual não se possa sentir o pesar em suas costas, em suma dor, o tempo seria uma alternativa agradável, da qual não assuste seus inimigos.
     
     No mundo onde eu coexisto, não existe sofrimento, no mais, não se ajoelha em prantos ou se deita sem motivos para levantar, nesse mundo, onde eu coexisto, deixei de lado o meu eu verdadeiro, o eu amargurado, lotado de pensamentos ruins com emoções frustradas e andar manco, cansado, meu peito não dói ao ouvir alguns nomes e a solidão não é algo assustador, minhas pequenas mãos, atadas como um condenado qualquer que seja, com uma imensa dor no olhar, onde não se existe mais a razão, preso entre paredes das quais vão se comprimindo mais e mais, todos os meus amigos, abandonando-me de forma da qual não exista mais nada para se fazer, deixá-los ir foi a melhor escolha para aquele que não tinha mais escolhas, golpes e mais golpes atingem sua face como se destruísse a si mesmo, é assustador o som que ecoa dela, abandonado onde foi encontrado, morto em passado e rastejando em um futuro distante, do qual, não se vê mais adiante, destrutivo, agonizante, perturbador.

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