Afogado em decepções, em um oceano obscuro, nadando contra a barreira imaginária para recuperar o tempo perdido, vagante de eras como quem vaga por sua casa, trilhando caminhos que nem mesmo a natureza fétida seria capaz de guiar, de mãos dadas com o abismo, encarando o passado, na espera do futuro, atropelando o presente, presente aquele, que seria dado de bom grado, ou de todo jeito, não é diferente se colocado no peito, triste e inquieto, um apelo no escuro, uma chama na luz, uma oração para a humanidade, digno ato de um covarde, quem seria o ilustre ser a quem todos recorressem quando a inércia atingisse em cheio, como uma bomba atinge inocentes, como um tubarão mastiga sua presa, como... a razão atinge seu peito, mas não se pode ouvir sua voz, em suma, é gritante, agonizante, aterrorizador, sua dor vívida, da forma mais banal cabível, não se colocada em palavras ou... em atitudes, mas arremessadas ao ar como balões.
Me vejo envolto pela caça, predador que sou, grito de agonia pelas mordidas, não sinto mais a dor, apenas o desconforto, não sinto mais o ódio, apenas o frio, não sinto mais amor... apenas sinto o tempo passar por mim enquanto vejo minha carne ser destroçada pela caça.
Comentários
Postar um comentário