Hoje eu fui alguém, que já não serei mais amanhã, todas as incontáveis vezes que mudei e ainda mudarei, frustrações que ainda irei de ter, sensações de amargura que adormecem meus sentimentos, sou um aconchegado de decepções onde todas encontram seu ponto de consolo, seu eu no escuro, a dor incompreendida de viver com uma ferida, tão grande mas escondida, com a palavra rude que falei para alguém, ou o abraço mesquinho que um dia emprestei por ai, tentativas e mais tentativas, todas resultantes no mesmo fim, trajando o mesmo dejeto, é pavoroso o objeto, do qual tornou-se meu coração.
Me vejo envolto pela caça, predador que sou, grito de agonia pelas mordidas, não sinto mais a dor, apenas o desconforto, não sinto mais o ódio, apenas o frio, não sinto mais amor... apenas sinto o tempo passar por mim enquanto vejo minha carne ser destroçada pela caça.
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