Hoje eu fui alguém, que já não serei mais amanhã, todas as incontáveis vezes que mudei e ainda mudarei, frustrações que ainda irei de ter, sensações de amargura que adormecem meus sentimentos, sou um aconchegado de decepções onde todas encontram seu ponto de consolo, seu eu no escuro, a dor incompreendida de viver com uma ferida, tão grande mas escondida, com a palavra rude que falei para alguém, ou o abraço mesquinho que um dia emprestei por ai, tentativas e mais tentativas, todas resultantes no mesmo fim, trajando o mesmo dejeto, é pavoroso o objeto, do qual tornou-se meu coração.
Fica tão difícil te esquecer, quando tudo me lembrar você. Caminhar na noite nunca foi tão solitário, sem você ao meu lado, não é como um vício, uma droga um carinho, era como uma obsessão, o toque de sua mão, me acalmava, eu era um leão na solidão, rugia com seu afago e me silenciava com sua distância, o tempo não nos foi justo, a vida também não, uma série de coisas nos aconteceram, não tivemos controle algum sobre elas, apenas boiamos em um oceano e deixamos as ondas nos lançarem na areia, embora, a vida nos prega peças, não seria diferente com tudo isso, não fomos jogados juntos na areia, mas fomos afogados o mais distante possível, não distante da beira, ou de qualquer outra coisa, mas distante de nós, estávamos longe um do outro e ainda estamos, mandei cartas ao vento, cartas que você jamais lerá, agora, começo uma nova história, um livro já fora queimado, noites já forma perdidas, o seu cheiro não vaga pela minha mente, seus cabelos não deslizam em minhas mãos, seu vazio não com...
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