Como responder coisas das quais nem imagino saber, como respirar com um aperto sufocante que pouco a pouco consome tudo que sou, não é como se eu não quisesse mudar, eu só não sei como fazer, não é que eu não acorde e deseje ver o sol, eu só tenho medo da luz queimar meus olhos, o escuro não me assusta e um abraço não me conforta, lentamente vou me vendo afogado em um oceano inteiro de desespero, onde ir, o que fazer, qual o seu futuro, tantas perguntas, tão poucas respostas, nem ao menos sei se prefiro chocolate ou iogurte, não que eu seja indeciso, eu só não me sinto confortável, não me sentiria deitado em uma cama d'água, não me sentiria encostado em algum colo, um universo inteiro em uma pequena cabeça, trancafiado como um vírus em sistema, escondido, esperando ser aberto, uma máquina que não desliga e que tenho que sempre lidar com mil pensamentos por segundo, criatividade colidindo com a realidade, medo de não ser o bastante, padecer em silêncio sem ao menos ser aplaudido no fim do espetáculo, eu tento te explicar, existem dias, em que sou um leão, olho em meu espelho e sinto que vou fazer a diferença, acredite, eu faço, mas em todo o resto dos dias, dos meses, dos anos, sou a jaula que prende o leão, o impedindo de rugir, de arranhar, de morder, essa é a sensação mais agoniante que alguém pode sentir, a impotência sentimental, o fracasso daquilo que se é bom, a expressão mais pura do nojo emaranhado em uma teia imaginária, como eu queria poder fugir disso tudo, me isolar em meu mundo mental e nunca mais sair, como um coma ou uma outra vida, fugir da maldita realidade esquisita, já é uma rotina fingir expressões, o que vai ser de mim, quando perder até a habilidade de mentir.
Me vejo envolto pela caça, predador que sou, grito de agonia pelas mordidas, não sinto mais a dor, apenas o desconforto, não sinto mais o ódio, apenas o frio, não sinto mais amor... apenas sinto o tempo passar por mim enquanto vejo minha carne ser destroçada pela caça.
Comentários
Postar um comentário