No topo de sua montanha, o homem fitava as luzes, todas aquelas luzes em velocidades absurdas, misturando-se ao clarão que toma conta de suas vidas, ele não necessitava de um nome, afeto ou qualquer outro tipo de coisa, ele não iria se importar em ter um dia ruim, ou uma série deles, na verdade, esse seria o último, como chegou no topo dessa montanha? Ele olhou-se no espelho, o que viu assustaria até o mais perturbado ser vivo existente, ele não via um homem, uma mulher, ou um animal, o que ele via, eram suas esperanças, suas frustrações, seu desespero, tudo que o impedia de dormir durante as noites, tudo que o atormentava em segredo, ele cravaria cada momento em sua pele, com um único golpe, ele não queria a última fatia do bolo, a chuva no céu nublado parecia mais atrativa, tendo sua cabeça chocada contra os cacos do espelho, gotejar avermelhado escorria da sua face, não era nada importante, seus lábios pressionados por seus dentes e seus passos lentos, subindo escadas que beijavam uma saída, ninguém poderia salva-lo, ninguém se importaria em tentar, ele corria até a varanda e olhava para baixo, gritando o mais alto que podia, ninguém iria ouvi-lo, jamais iriam ouvir, feliz por isso, talvez instável, quem sabe, suas últimas palavras, foram apenas o chocar de um corpo contra as raízes da vida, um corpo já esmagado pelo atrito do ar, leve-o de volta para o buraco mais fundo.
Fica tão difícil te esquecer, quando tudo me lembrar você. Caminhar na noite nunca foi tão solitário, sem você ao meu lado, não é como um vício, uma droga um carinho, era como uma obsessão, o toque de sua mão, me acalmava, eu era um leão na solidão, rugia com seu afago e me silenciava com sua distância, o tempo não nos foi justo, a vida também não, uma série de coisas nos aconteceram, não tivemos controle algum sobre elas, apenas boiamos em um oceano e deixamos as ondas nos lançarem na areia, embora, a vida nos prega peças, não seria diferente com tudo isso, não fomos jogados juntos na areia, mas fomos afogados o mais distante possível, não distante da beira, ou de qualquer outra coisa, mas distante de nós, estávamos longe um do outro e ainda estamos, mandei cartas ao vento, cartas que você jamais lerá, agora, começo uma nova história, um livro já fora queimado, noites já forma perdidas, o seu cheiro não vaga pela minha mente, seus cabelos não deslizam em minhas mãos, seu vazio não com...
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