Tento decifrar o meu problema, em cada dia que permaneço lúcido, é difícil questionar quando todos te mandam ficar em silêncio, acordar é uma prova mental e dormir é a antecipação do caos, minha mente conturbada, se dilata a cada minuto que respiro, ela grita, implora, dê-me uma dose de morfina, aumente meus remédios, meus olhos ardem e minhas olheiras já dominam o meu rosto, gradativamente vejo apenas um monstro em um espelho qualquer, sinto medo de que esse monstro me agarre como eu o agarrei, não sei quem é mais forte, não sei quem é pior, entre nós dois, pensar nisso me remete a sentimentos inimagináveis, já não posso explicar os meus motivos, eu só não aguento mais e o que eu nem sei mais.
Fica tão difícil te esquecer, quando tudo me lembrar você. Caminhar na noite nunca foi tão solitário, sem você ao meu lado, não é como um vício, uma droga um carinho, era como uma obsessão, o toque de sua mão, me acalmava, eu era um leão na solidão, rugia com seu afago e me silenciava com sua distância, o tempo não nos foi justo, a vida também não, uma série de coisas nos aconteceram, não tivemos controle algum sobre elas, apenas boiamos em um oceano e deixamos as ondas nos lançarem na areia, embora, a vida nos prega peças, não seria diferente com tudo isso, não fomos jogados juntos na areia, mas fomos afogados o mais distante possível, não distante da beira, ou de qualquer outra coisa, mas distante de nós, estávamos longe um do outro e ainda estamos, mandei cartas ao vento, cartas que você jamais lerá, agora, começo uma nova história, um livro já fora queimado, noites já forma perdidas, o seu cheiro não vaga pela minha mente, seus cabelos não deslizam em minhas mãos, seu vazio não com...
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