Quero encerrar minha dor, cravar em meu peito, minhas últimas palavras, mas egoísmo não faz parte de meu superego, as pessoas ao redor, não padeceriam de mal pior, em meu pulsar, apenas podridão, não mais saio da escuridão, encarcero-me em meus pensamentos, açoitando-me com delírios, gotejam-se meus olhos e já não reflito sobre mim, em um transe hipnótico, mentalizo-me em êxtase, a felicidade forjada, cravada, arrancada, a felicidade que poderia existir, em uma alma tão calejada, não parece só um sonho distante, prendo-me em meu eu, e novamente vejo-me em um quarto fechado, com paredes pálidas, e meu olhar distante, eu não temo o escuro, nem temo os demônios que nele habitam, eu os invejo, por precisarem apenas temer a luz do dia, e dividiria minhas angústias com todos, se assim fosse possível, em uma suposição opaca, me vejo em outra sala, em um segundo de silêncio, arranco-me de meu corpo, cravando uma lâmina no pescoço, já não sinto meu dorso, e para isso, eu torço...

Embora, cada dia pareça diferente, cada dia me vejo menos crente, de que algo em mim possa mudar, e me mostrar o caminho que devo trilhar, a angústia me consome e eu imploro por ajuda, ajuda da qual, é sempre negada, ajuda da qual, é sempre refugiada, a loucura bate à porta e eu não quero mais atende-la, por mais que as paredes me esmaguem, em insanidade eu não desacato, calçando novamente meus sapatos, dolorosos e descalços, caminho por entre os cacos de vidro, das garrafas as paredes atiradas, em rodopios, cantarolo meu momento mori, para me prender em minha cúpula frágil de felicidade, e novamente, eu me vejo implorando por ajuda, me vejo implorando por outra chance, minhas mãos são tremulas e meus olhos não seguram o peso da minha consciência, me leve para longe, para onde não exista mais minha ciência e enfim, eu possa, sorrir ou sofrer.

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