Em certas noites, me sento na varanda e fito o horizonte, as estrelas rasgando a imensidão negra que existe no abismo infinito, isso gera-me um conflito, vagueando em minha mente, estão dois lobos, um deles é mau, ele me odeia e me despreza, e deseja dilacerar minha carne, e o outro, é pior do que ele, em uma perspectiva dura e meticulosa, não me vejo como um lado bom de nada, dividido entre, sofrer quieto e desabar em desespero, são os dois estados dos quais estou dividido, sinto-me em uma convenção de surdos, onde grito aos quatro ventos por ajuda, pedindo socorro para aqueles que não me escutam, mas ao mesmo tempo sinto-me como um caco de vidro, não apenas por estar quebrado, mas por também ser invisível, de um modo geral, não importa se estou ali, minha presença não agrada muito menos maltrata, ser um mero tanto faz por tanto tempo, te prende em uma bolha, onde você só tem oxigênio por um tempo limitado, e estou sentindo que meu oxigênio está acabando, quando me falta ar nos pulmões e minhas veias pedem por socorro, fitar o prateado do aço do qual compõem as lâminas que em casa escondo, respirando fundo para não profana-las com minha matéria, enquanto forço uma personalidade que não faz parte de mim, me torno gentil aos olhos de quem vê, e doce, aos ouvidos de quem me escuta, mas eu não preciso apenas ser visto e ouvido, mas também sentido, e mesmo com isso, eu sinto, que ninguém irá me sentir, porque atrás de toda porta, eu não vejo um caminho, ou uma luz acesa em uma sala de estar, eu vejo mais escuridão, com mais portas similares a primeira, e isso se repete até minha escassez de esperança, onde inerte de sensações, me entrego a desesperança e desejo por muito, encerrar minha estadia nessa vida, e por mais que eu peça ajuda, não a recebo como espero, me deixando em um desespero de desafeto, acreditando que de nada prospero, e em um lapso instantâneo, ambos os lobos encontram minha persona, um garoto frágil lacrimejando aos pés de uma árvore, eles me atacam, e não tenho forças para subir, eles me estraçalham, e não tenho lágrimas para suprir, eles me devoram vivo, e não tenho uma mão para segurar, mas no fim, eles me deixam ali, quando finalmente estou me acostumando a ser massacrado por eles, e é nesse momento, que tudo desaba, quando nem mesmo o pior de mim, pode me ajudar, e eu sei, que não existe o melhor para me salvar.
Fica tão difícil te esquecer, quando tudo me lembrar você. Caminhar na noite nunca foi tão solitário, sem você ao meu lado, não é como um vício, uma droga um carinho, era como uma obsessão, o toque de sua mão, me acalmava, eu era um leão na solidão, rugia com seu afago e me silenciava com sua distância, o tempo não nos foi justo, a vida também não, uma série de coisas nos aconteceram, não tivemos controle algum sobre elas, apenas boiamos em um oceano e deixamos as ondas nos lançarem na areia, embora, a vida nos prega peças, não seria diferente com tudo isso, não fomos jogados juntos na areia, mas fomos afogados o mais distante possível, não distante da beira, ou de qualquer outra coisa, mas distante de nós, estávamos longe um do outro e ainda estamos, mandei cartas ao vento, cartas que você jamais lerá, agora, começo uma nova história, um livro já fora queimado, noites já forma perdidas, o seu cheiro não vaga pela minha mente, seus cabelos não deslizam em minhas mãos, seu vazio não com...
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