Silêncio, estou tentando pensar em como deixar de existir sem ferir as existências que dependem da minha.
Em chamas, como no álbum do Pink Floyd, minha cabeça se choca contra a parede e essa dor quebra todo meu sistema, mas eu não sei o que sentir quando todos tentam dizer o que devo.

Com a tristeza me ausento no silêncio do meu quarto, esperando que ninguém me ouça gritar, mas te peço desculpas de antemão por tudo que vou fazer, é mais difícil ficar do que deixar de viver, não sei lidar com a dor e cada passo que dou...

Respiro fundo, ergo a cabeça, já me falaram para fazer isso quando pensamentos sombrios chegarem, mas nunca falaram o que fazer para que eles vão embora, me pego no quarto trancado e nem mais vejo a hora, no espelho fujo do meu rosto e na janela observo a paisagem.

Com um suspiro encaro a realidade e fujo da minha saudade, não tenho para onde voltar e não vou chegar a nenhum lugar, por mais que eu tente e por mais que fracasse, as chances não mudam e essa é minha realidade, cansado de tudo, cansado de todos, sem soluções eu já grito socorro.

É, mas eles não ouvem, nem me veem na sua frente, tão cegos e loucos, eu me clamo inocente, é incoerente, meu homicida sou eu, assassino minhas oportunidades e ainda não sei o que me deu, naquele instante, naquele momento, me olho nos olhos e só enxergo tormento, tormento de um lado, cacos de outro, piso no vidro e já não sinto desgosto, isso dói e queima, e não existe forma de parar, como uma chama eterna que para sempre vai me pegar.

Os velhos não escutam o que tenho a dizer e para os novos, eu não sou um bom exemplo, no túnel da vida me vejo em retrospectiva, não existe caminho e não existe uma saída, não tenho para onde voltar e não sei se tenho para onde ir, de uma forma ou de outra, tudo acaba no fim, o problema é o começo, que vem apressando o meu desfecho.

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